quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Leão Gropo - 23 anos

Dia 1º de janeiro de 2017, o Leão Gropo completa 23 anos de existência.

Uma singela homenagem as pessoas que fizeram e que ainda fazem parte dessa história.

Imagens: Acervo CMELG

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Curso de Route Setter

Outras infos aqui.

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

X Caldeirão da AGM no Behne

Mais infos aqui.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Censo sobre escalada esportiva

Estamos nos preparando para 2017 e precisamos saber quantos somos, não existe um numero exato de escaladores aqui no Brasil.

Contamos com a ajuda de todos na divulgação desse link e esperamos a participação da comunidade.

A previsão do termino desse censo esta prevista para Dezembro 2016 e a ABEE ira sortear uma cadeirinha e uma anuidade 2017 para todos os que responderem!

Responda o formulário

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Sistema Brasileiro de Graduação de Escalada

Aprovado pela Confederação Brasileira de Montanhismo e Escalada em Assembléia Geral, 25 de agosto de 2007.

1 – Descrição do sistema de graduação

1.1 - Introdução

Uma das vantagens do sistema brasileiro é a menção dos graus geral e do lance mais difícil da via em separado, ao contrário do que acontece em sistemas como o americano e o francês, que tomam como grau de uma escalada apenas o grau do seu lance mais difícil.

O sistema aqui proposto procura manter esta e outras qualidades deste sistema e ao mesmo tempo acrescentar algumas inovações que o tornem mais atual e eficiente. Algumas destas mudanças são: a adoção oficial do sistema internacional em artificiais (o sistema antigo classificava oficialmente os artificiais em A1, A2 ou A3, embora na prática no Brasil já se adote há tempos a escala até A5), a nova subdivisão (a,b,c) para lances de dificuldade elevada (VIIa ou maior) e a adoção de um grau específico de exposição.

A graduação de uma via é composta aqui de duas partes principais: uma “central”, de menção obrigatória, e outra de termos opcionais, que podem ser acrescidos conforme a riqueza de detalhes que se deseje passar.

A parte central é composta pelo grau geral, o grau do lance mais difícil e o grau do artificial, quando este existir. Os termos opcionais são o grau de duração, o grau de exposição, o número de passadas em artificial e o grau máximo “obrigatório” em livre. Todos estes itens são explicados abaixo.

Lembramos que na atribuição do grau a uma via considera-se que o escalador está guiando e escalando “à vista”, isto é, sem conhecimento prévio da via.

1.2 - O grau geral

O grau geral tem o objetivo de expressar a soma de todos os fatores objetivos e subjetivos que traduzem a dificuldade de uma via. Trata-se de uma média das dificuldades técnicas encontradas ao longo da via, que por sua vez pode ser ajustada de acordo com os fatores subjetivos, caso estes tenham um peso relevante na dificuldade geral. Entre estes fatores estão: distância entre as proteções, periculosidade das quedas, exigência física, qualidade das proteções e da rocha, existência ou não de paradas naturais para descanso no meio das enfiadas e possibilidade de abandono do meio da via.

Como é influenciado por fatores subjetivos de toda a via, o grau geral pode eventualmente ser maior do que o grau do lance mais difícil. Isto acontece, por exemplo, em escaladas de lances fáceis porém com alto grau de exposição (ver exemplos ao final do texto).

Notação e uso:

- Algarismos ordinais arábicos;

- Não há subdivisões;

- Colocado no início da graduação, podendo apenas ser antecedido pelo grau de duração, quando este existir;

- Sistema aberto para cima, podendo sempre receber um grau a mais do que o máximo grau existente em uma determinada época;

- Menção obrigatória.

Escala:

1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8,…

1.3 - O grau do lance mais difícil

Trata-se do grau do lance ou seqüência mais difícil de toda a escalada, ou grau do crux. Pode ser apenas uma passada ou uma seqüência, isto é, um conjunto de lances entre dois pontos naturais de descanso da via. Este grau também é influenciado pelo nível de exposição (um lance difícil longe do último grampo tende a ter graduação mais alta do que o mesmo lance bem protegido), embora o fator dificuldade técnica prevaleça.

Notação e uso:

- Algarismos romanos;

- Subdivisões: “sup” até VIsup, e “a, b, c” acima de VIsup;

- As subdivisões são escritas logo após o algarismo, em minúsculas e sem espaçamento;

- Posicionado logo após o grau geral, deixando-se um espaço entre eles, e antes do grau do artificial;

- O sistema é aberto para cima;

- Menção obrigatória.

Escala:

I, Isup, II, IIsup, III, IIIsup, IV, IVsup, V, Vsup, VI, VIsup, VIIa, VIIb, VIIc, VIIIa, VIIIb, VIIIc, IXa,…

Obs: Além de ser usada na classificação de vias, a notação em romanos deve ser sempre utilizada para a descrição de lances de escalada isolados. A indicação da dificuldade de cada lance nos desenhos dos croquis de vias e o relato escrito de detalhes de escaladas (“…tal escalador passou por uma fenda de VI…”) são dois exemplos onde se deve escrever o grau em romanos e não em arábicos.

1.4- Vias de uma enfiada de corda, falésias e boulders

Para estas vias não há sentido em se atribuir um grau geral e um grau para o lance mais difícil, uma vez que são vias curtas, de comprimento máximo de 50 ou 60 metros. Então o grau geral é abolido, e utiliza-se somente o grau do lance ou seqüência mais difícil, em romanos, para expressar a sua dificuldade. As vias muito curtas, por serem normalmente mais difíceis, não costumam possuir pontos naturais de descanso – neste caso a via inteira é uma seqüência única a ser graduada.

Esta graduação é válida para boulders, falésias e vias curtas em geral, e a notação e a escala já foram descritas acima.

1.5 - O grau máximo obrigatório em livre

O grau de uma via de escalada é o seu grau mais em livre possível. No entanto, um escalador cujo nível técnico esteja abaixo dos lances mais difíceis de determinada escalada pode ter condições de repeti-la se subir tais lances em artificial, utilizando para isso as proteções como pontos de apoio. Embora este não seja o melhor estilo de se repetir uma via, muitas vezes é o estilo possível para quem (ainda) não consegue fazê-la totalmente em livre.

Por este motivo, na hora de graduar uma via, alguns escaladores gostam de mencionar o grau máximo “obrigatório” em livre da escalada, isto é, aquele que, mesmo utilizando as proteções como ponto de apoio, o escalador necessariamente tem que conseguir guiar em livre para repeti-la. Neste caso o “novo crux” passa a ser mais baixo, substituindo o crux real na graduação. O crux real é mencionado entre parêntesis, junto com a indicação do artificial que o substitui.

Por exemplo: Suponha que numa via de 3 VIsup o lance de VIsup possa ser subido pisando-se em duas das proteções (artificial A0, portanto), fazendo com que o grau máximo em livre passe a ser IV. O grau desta via pode ser expresso então como 3 IV (A0/VIsup). Isto é, a via é de 3 grau, o crux é de VIsup e caso este seja feito em artificial A0 o novo crux (grau obrigatório) passa a ser IV. O termo entre parêntesis (A0/VIsup) significa “ou você faz um A0 ou faz um VIsup”.

Outra aplicação para esta forma de graduação está em vias conquistadas com trechos em artificial e que com o passar dos anos foram feitas em livre, mas que conservam a grampeação original do antigo artificial.

Notação e uso:

- O “novo crux” é colocado depois do grau geral, em substituição ao crux real;

- A seguir coloca-se entre parêntesis o grau do artificial, uma barra e o grau do crux real, sem espaçamento entre eles;

- Uso opcional.

1.6 - O grau do artificial (A)

Entende-se por artificial o uso de meios não naturais (ou pontos de apoio artificiais) para progressão numa escalada.

O grau adotado aqui segue o sistema internacionalmente mais utilizado, indo de A0 a A5, e possuindo subdivisões (“+”). Apenas o A0 recebe uma definição um pouco diferente em relação a outros países. Quanto ao grau reservado para (futuras) escaladas mais difíceis do que A5, adota-se aqui o A5+ em vez de A6, para se manter uma lógica sequencial, a exemplo de algumas publicações como o já citado “Mountaineering – the freedom of the hills”.

O grau do artificial de uma via é o grau da sua enfiada mais difícil, e não uma média dos diferentes trechos em artificial.

Quando o artificial possui poucos pontos de apoio, pode-se desejar mencionar a quantidade destes pontos. Neste caso, coloca-se o número de pontos de apoio entre parêntesis, logo depois do grau. Ex: 4 V A1(3) ou 4 V A2+(2). Quando a via possui trecho em cabo de aço, adiciona-se a letra “C” ao final. Ex: 4 V C.

Convém comentar que a graduação de artificiais leva em conta principalmente a qualidade das colocações que seguram o escalador e o tamanho da queda em potencial. Assim sendo, é possível a existência de artificiais com poucas passadas mas de graus elevados. Por exemplo: uma sequência de 4 ou 5 copperheads e rurps fragilmente colocados após um longo lance de escalada em livre sem proteção pode vir a receber um grau alto, apesar de ser um trecho curto.

Artificiais fixos podem ser A0 ou A1, conforme sua extensão. Artificiais de cliff são sempre maiores do que A1, variando conforme a distância da última proteção sólida e a dificuldade de progressão. Estes fatores também se aplicam ao material móvel em geral.

Notação e uso:

- Letra A maiúscula seguida de numeração de 0 a 5, em arábicos, sem espaçamento entre a letra e o número;

- Subdivisões: “+”, colocado após o número sem espaçamento;

- Posicionado depois do grau do lance mais difícil e antes do grau de exposição (E), caso exista;

- No caso de cabos de aço, letra C maiúscula, posicionada depois do lance mais difícil ou do artificial (A), caso este exista, e antes do grau de exposição (E), caso exista;

- O número de pontos de apoio vem em arábicos, colocado entre parêntesis logo após o grau do artificial, sem espaçamento. Seu uso não é obrigatório;

- O grau do artificial é de uso obrigatório;

Escala:

A0: Pontos de apoio sólidos (“à prova de bomba”) isolados ou em uma curta sequência, com pouca exposição; pêndulos; uso da proteção para equilíbrio ou descanso; e tensionamento da corda para auxílio na progressão;

A1: Peças fixas ou colocações sólidas de material móvel, todas elas fáceis e seguras, em uma seqüência razoavelmente longa;

A2: Colocações de material móvel geralmente sólidas porém mais difíceis. Algumas colocações podem não ser sólidas, mas estarão logo acima de uma boa peça. Não há quedas perigosas.

A2+: Como o A2, mas com possibilidade de mais colocações ruins acima de uma boa. Potencial de queda aproximado de 6 a 9 metros, mas sem atingir platôs. Pode ser necessária uma certa experiência para encontrar a trajetória correta da escalada.

A3: Artificial difícil. Possui várias colocações frágeis em seqüência, com poucas proteções sólidas. O potencial de queda é de até 15 metros, equivalente ao arrancamento de 6 a 8 peças, mas geralmente não causa acidentes graves. Geralmente são necessárias varias horas para guiar uma enfiada, devido à complexidade das colocações.

A3+: Como o A3, mas com maior potencial de quedas perigosas. Colocações frágeis, como cliffs de agarra em arestas em decomposição, depois de longos trechos com proteções que agüentam somente o peso do corpo. É comum que escaladores experientes levem mais de três horas para guiar uma enfiada.

A4: Escaladas muito perigosas. Quedas potenciais de 18 a 30 metros, com perigo de se atingir platôs ou lacas de pedra. Peças que agüentam somente o peso do corpo.

A4+: Como o A4, mas são necessárias várias horas para cada enfiada de corda. Cada movimento do escalador deve ser calculado para que a peça onde ele se encontra não seja arrancada apenas com o peso do seu corpo. Longos períodos de pressão psicológica.

A5: Este é o extremo, sob o ponto de vista técnico e psicológico. Nenhuma das peças colocadas em toda a enfiada é capaz de segurar mais do que o peso do corpo, quando muito. As enfiadas não podem possuir proteções fixas nem buracos de cliff.

A5+: Como um A5 em que as paradas não são sólidas. Qualquer queda é fatal para todos os componentes da cordada. Até o presente (2002) não se conhece nenhuma via de escalada com essa graduação.

1.7 - O Grau de Duração (D)

Expressa o tempo de duração da via quando repetida à vista por uma cordada “normal”. A escala utilizada é a internacional, tendo a notação sido modificada para maior clareza, já que aquela escala utiliza os mesmos algarismos romanos que aqui utilizamos para o lance mais difícil da via. Assim sendo, os graus I, II, III, etc utilizados no exterior equivalerão no sistema brasileiro aos graus D1, D2, D3, etc, sendo o D de “duração”.

O grau de duração da via só considera a ascenção, não incluindo o tempo de retorno, seja ele feito por rapel ou caminhada.

Notação e uso:

- Letra D maiúscula seguida de numeração (de 1 a 7), em arábicos, sem espaçamento entre a letra e o número.

- Posicionado no início do grau da via, antes de todos os outros fatores.

- Utilização opcional.

Escala:

D1: Poucas horas de escalada

D2: Meio dia de escalada.

D3: Um dia quase inteiro de escalada.

D4: Um longo dia de escalada.

D5: Requer uma noite na parede. Cordadas muito velozes podem repeti-la em um dia.

D6: Dois dias inteiros ou mais de escalada. Normalmente inclui longos e complicados trechos de escalada artificial.

D7: Expedições a locais de acesso remoto com longa aproximação e muitos dias de escalada.

1.8 - O grau de exposição (E)

O grau de exposição de uma via procura expressar seu o grau de comprometimento psicológico. Como visto anteriormente, a exposicao está incluída, junto com outros fatores, no grau geral da escalada. No entanto, a sua menção específica em separado é uma informação muitas vezes importante, principalmente em se tratando de escaladas em ambiente de montanha, e muitos escaladores optam por utilizá-lo na graduação das vias.

A primeira vez que um termo que expressasse exclusivamente o grau de exposição foi utilizado ocorreu com o lançamento do Guia de Escaladas dos Três Picos (1998), por Alexandre Portela, Sérgio Tartari e Isabela de Paoli. Os autores criaram um sistema fechado com 5 subdivisões, e que teve repercussão bastante positiva por parte da grande maioria dos escaladores que utilizaram aquela publicação como fonte de informações sobre as escaladas de Salinas (Friburgo), região incluída no guia. Como resultado, decidiu-se nos seminários incluir este grau no sistema.

Os fatores considerados aqui são principalmente a distância e a qualidade das proteções e o risco de vida em caso de queda, mas também a dificuldade técnica dos lances (embora este fator tenha menor peso).

Este grau diz respeito apenas à parte de escalada livre da via. A exposição dos trechos em artificial está incluída no grau do artificial.

Notação e uso:

- Letra E maiúscula, seguida de numeração de 1 a 5, em arábicos, sem espaçamento entre a letra e o número.

- Posicionado ao final do grau da via, depois de todos os outros fatores.

- Sua utilização é opcional.

Escala:

E1: Vias bem protegidas;

E2: Vias com proteção regular;

E3: Proteção regular com trechos perigosos;

E4: Vias perigosas (em caso de queda);

E5: Vias muito perigosas (em caso de queda).

2. Exemplos de aplicação do sistema:

Suponhamos que uma determinada via seja curta (uma enfiada de corda ou mesmo um boulder), e a sequência mais difícil seja VIIb. O grau da via é então VIIb.

Suponhamos agora que essa via tenha na verdade duas ou mais enfiadas. Então o grau médio dos lances da via deve ser aferido, e ajustado um pouco para cima (ou não) conforme a exposição, exigência física e outros fatores subjetivos. Suponhamos que esse grau seja 5. Então o grau da via é 5 VIIb.

Mas no meio da via há um artificial de cliffs graduado em A2. Grau: 5 VIIb A2.

Se esse artificial constituir de apenas três pontos de apoio, você pode querer explicitar isso. Solução: 5 VIIb A2 (3).

Suponhamos que a via não tenha artificial nenhum, pois é feita em livre. Como vimos acima, seu grau é então 5 VIIb. Mas o crux (VIIb) tem a possibilidade de ser feito em artificial segurando em um ou dois dos grampos de proteção (um A0, portanto), e aí o lance mais difícil passa a ser um Vsup. Você pode informar isso na graduação da seguinte forma: 5 Vsup (A0/VIIb).

Bem, acontece que esta via é particularmente exposta (um E4), e embora isto já tenha influenciado o grau geral você pode querer dar a informação em separado. Então o grau da via é 5 VIIb E4. E se houver o artificial A2, 5 VIIb A2 E4.

E finalmente a via em questão é tão longa e trabalhosa que se trata de um big wall, e uma cordada normal levará dois dias para repetir. O grau é então: D5 5 VIIb A2 E4.

Em suma: o grau pode ser expresso de maneira tão simples como VIIb ou tão extensa como D5 5 VIIb A2 E4, conforme as características da via e os objetivos de quem a gradua. Mas na prática, a maioria das vias só requer mesmo o uso de dois termos: o grau geral e o crux.

Seguem abaixo outros exemplos:

VIsup - via de uma enfiada, boulder ou falésia cujo crux é VIsup.

D2 4 VIsup A2 E2 – Via de grau médio (geral) 4, crux VIsup e artificial A2 cujo grau de exposição é E2 (grampeação regular) e a duração é D2 (meio dia de escalada).

IV E3 - Via curta de crux IV grau e exposição regular com trechos perigosos (E3).

3 IVsup (A0/VI) – Via de 3 grau com crux de VI, mas cujo crux obrigatório é IVsup.

D6 7 VIIb A3+ E4 – Via de 7 grau com crux de VIIb e artificial A3+ que tem grau de exposição E4 (via perigosa) e duração de alguns dias.

5 IV – Via de 5 grau cujo crux é de IV grau.

5 IV E4 – Pode ser a mesma via anterior, mas decidiu-se tornar explícito o grau de exposição. Notar que o alto grau de exposição desta via faz com que o grau geral seja maior do que o do crux.

Fonte: Confederação Brasileira de Montanhismo e Escalada (CBME)

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NOTA:

Normalmente encontram-se distorções pontuais destes métodos (não convencionais).

Exemplos: Graduação de Boulder vê-se o padrão "Hueco Tanks" (..., V10, V11, V12,...) e o grau do lance mais difícil (ítem 1.3) vê-se algarismos arábicos (e não romanos) a partir do sétimo grau (7a, 7b, 7c, ...). Veja aqui.

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Código de Ética do I Congresso Brasileiro de Montanhismo

Código de Ética do I Congresso Brasileiro de Montanhismo

Este código de ética foi discutido no 1º Seminário Paranaense em Março de 1993, e levado para discussão no 1º Congresso Brasileiro de Montanhismo realizado em Curitiba em Julho do mesmo ano.

Dos Pontos De Segurança (Grampos Fixos ou Chapeletas)

• Durante uma conquista deve ser observado o posicionamento dos pontos de segurança, de modo que em hipótese alguma de queda, o escalador toque o solo, arestas ou saliências, representando perigo à sua própria integridade;

• É proibida a adição de pontos de segurança em escaladas já conquistadas, sem autorização dos conquistadores;

• Em caso de regrampeação os escaladores não possuem poder algum para descaracterizar qualquer rota, transferindo a original proteção dos pontos de segurança, de acordo com o artigo primeiro anterior;

• A utilização de dupla proteção nos pontos de parada é um fator que diminui a ocorrência de acidentes e deve ser sempre observada;

• Sempre que possível os pontos de rapel devem ser comuns à varias escaladas;

• Os pontos de segurança estão sujeitos às intempéries e devem merecer constantes observações todo início de uma escalada;

• Um ponto de segurança visivelmente mal colocado, deve ser evitado e informado à União Local de Escaladores para a sua substituição de acordo com o artigo segundo deste;

Do Meio Ambiente

• Nenhuma escalada deve transgredir as leis de proteção ambiental. Todas as situações à parte devem ser discutidas pela União Local de Escaladores e decidido através de votação por maioria absoluta ( 50% mais um voto );

• Todo escalador é responsável pelo seu material e lixos;

• Todo escalador tem a obrigação de divulgar e conscientizar a proteção ao meio ambiente;

Do Material Móvel

• Deverá ser utilizado material móvel sempre que possível, evitando-se o uso de pontos fixos ao lado de fissuras, fendas, rachaduras às quais seria óbvio o uso de materiais móveis;

Ética e Estilo

• Ética e estilo nunca devem ser confundidos, sendo que ética são regras que definem uma atitude ou postura diante do esporte e ao meio e é flexível de uma região para outra. O estilo faz parte das características de cada escalador, ilimitado e autojustificado na relação de movimentos ao realizar uma escalada;

• Corda de cima, Hang Dog, Pink Point, Red Point e Solo, ficam classificados como estilo reservado de cada escalador que saberá definir seus limites, sendo porém mundialmente conhecido como melhor estilo o On Sight guiando;

Da Conquista

• Nenhum escalador possui o direito de reservar para si qualquer rota ou pedaço de pedra, somente se estiver colocando evidentes esforços para efetuação de seus objetivos, seja aproximação, ou colocação de grampos. Em caso da modificação das intenções o escalador tem a responsabilidade de expressá-las à comunidade local, deixando-a aberta a todos;

• Toda conquista deverá ser divulgada no catálogo que deve ser editado anualmente;

Da Graduação

• Todo grau de escalada deve ser considerado On Sight;

• As graduações de artificiais devem estar dentro dos padrões, fator H e segurança expostos no catálogo local;

Da Moral

• Todo escalador deve utilizar de sua liberdade, usufruindo de seu espaço respeitando o próximo;

• É considerado imoral marcar com magnésio rotas ou boulders, com intuito único de legitimar uma ascensão não executada;

• Todo escalador tem a obrigação de prestar auxílio em caso de iminente perigo;

• Todo escalador tem o dever moral de transmitir uma boa atitude em relação à montanha e à prática do esporte;

Do Equipamento, do Resgate ou Acidente

• Todo escalador tem a obrigação de prestar auxílio técnico ou de primeiros socorros, quando assim lhe for pedido;

• Todo escalador é responsável pelo seu equipamento e manutenção do mesmo;

Conclusão Sobre o Código

Este código pode e deve ser alterado sempre que necessário e em consenso da União Local de Escaladores. Deverá ser respeitado por toda a comunidade e visitantes.

...

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Tabela de Conversão de Graus de Escalada

Fonte: Blogdescalada.com

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Mínimo impacto em ambientes naturais

8 princípios

1- Planejamento é fundamental

Entre em contato prévio com a administração da área;

Informe-se sobre as condições climáticas do local;

Viaje em grupos pequenos de até 10 pessoas;

Evite viajar para áreas populares;

Não esqueça dos sacos de lixo;

Só faça atividades dentro de sua capacidade.

2- Você é responsável por sua segurança

O salvamento em ambientes naturais é caro e complexo;

Calcule o tempo total que passará viajando e deixe um roteiro;

Avise a administração da área que você está visitando;

Aprenda as técnicas básicas de segurança;

Tenha certeza de que você dispõe do equipamento apropriado;

Caso você não tenha experiência, não se arrisque sozinho.

3- Cuide dos locais de sua aventura

Mantenha-se nas trilhas pré-determinadas;

Mantenha-se na trilha mesmo se ela estiver molhada;

Acampando, evite áreas frágeis;

Não cave valetas ao redor das barracas;

Bons locais de acampamento são encontrados, não construídos;

Não deixe evidências de sua passagem.

4- Traga seu lixo de volta

Se você pode levar uma embalagem cheia pode trazê-la vazia na volta;

Não queime nem enterre o lixo;

Utilize as instalações sanitárias, sempre que existirem.

5- Deixe cada coisa em seu lugar

Não construa qualquer tipo de estrutura;

Não leve nada para casa;

Tire apenas fotografias, deixe apenas suas pegadas e leve apenas lembranças.

6- Evite fazer fogueiras

Fogueiras enfraquecem o solo;

Para cozinhar, utilize um fogareiro próprio para acampamento;

Para iluminar, utilize um lampião ou uma lanterna ao invés de uma fogueira;

Para se aquecer, tenha a roupa adequada para o clima do local que está visitando.

7- Respeite os animais e as plantas

Observe os animais a distância;

Não alimente os animais;

Não retire flores e plantas silvestres.

8- Seja cortês com os outros visitantes e com a população local

Ande e acampe em silêncio;

Trate os moradores da área com cortesia e respeito;

Mantenha as porteiras e cancelas como as encontrou;

Deixe os animais doméstico em casa;

Evite cores fortes e vibrantes.

...

Saiba mais: www.pegaleve.org

Saiba mais: Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima

terça-feira, 26 de abril de 2016

Monte Belo - Esclarecimentos

Muito se tem perguntado como anda a situação de Monte Belo e por que não se encontra croqui do local.

Vamos aos fatos:

A escalada em Monte Belo continua liberada mas com certos cuidados.

Houve má conduta de escaladores que gerou mal-estar com os proprietários e em consequência disso resolvemos (Leão Gropo) não divulgar mais croqui em forma de protesto/punição e aguardando uma certa 'contida' na frequente 'superlotação' do point, e podemos dizer que surtiu efeito positivo/esperado até então.

A decisão sobre o croqui não é definitiva e em algum momento pode ser revertida.

# # #

Vamos listar as 3 regras básicas que devem ser religiosamente seguidas para o bom relacionamento com os proprietários, e que foram violadas.

1- Identifique-se ao chegar e solicite permissão para acessar a parede.

Para acessar a parede, obrigatoriamente se passa pela casa dos proprietários, família Pasin.

Eventualmente não há ninguém em casa ou estão trabalhando em uma área mais distante da propriedade ou também podem estar descansando após o meio-dia (sesta), nestes casos específicos pode-se acessar a parede sem permissão mas no retorno busque o contato.

2- Traga seu lixo de volta e recolha se encontrar algum.

Traga TODO seu lixo de volta, mesmo o orgânico.

O orgânico causa impacto visual negativo, além de incentivar outros a agirem da mesma forma. Uma casca de banana pode parecer insignificante mas 15 ou 20...

Outro fator a ser considerado é que o lixo orgânico acaba atraindo animais (ratos, serelepes) e seus predadores (cobras).

3- Respeite as regras de mínimo impacto e vá em grupos pequenos, de até 10 pessoas.

Há algum tempo, em um feriado, haviam aproximadamente 50 pessoas no point. Absurdamente incompatível.

Se ao chegar, já houver um número expressivo de pessoas, recomendamos que se faça ±30km e se dirijam a Cotiporã ou ±45km até o Salto Ventoso.

Outras recomendações importantes:

- Evite o local nos meses de janeiro e fevereiro em consequência da safra da uva.

- Estacione onde não atrapalhe a circulação e não ouça música com volume alto.

- Não grite ou faça barulhos desnecessários.

- Deixe a porteira da maneira que a encontrou.

- Qualquer vazamento ou dano causado na mangueira próxima da parede deve ser informado ao proprietário.

# # #

Boas escaladas!

terça-feira, 1 de março de 2016

Animais Peçonhentos

Para quem frequenta áreas remotas (ou nem tanto), são leituras imprescindíveis.

Acidentes ofídicos

Acidentes ofídicos, escorpionismo, araneísmo, lonomia e outras lagartas

Animais peçonhentos

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Gerações Gaúchas

João Giacchin e Vinícius Todero - Documentário de Escalada em Rocha

Arriba!

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Recall BD: Mosquetões e fitas

A Black Diamond anunciou Recall para mosquetões produzidos entre dezembro de 2014 e janeiro de 2016. E fitas de Nylon fabricadas em 2014 e 2015.

Verifique como inspecionar o seu equipamento e demais procedimentos: Mosquetões | Fitas

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Origem do nome

Atualizado em 21 de setembro de 2016.

Quantas vezes você viu um croqui ou soube o nome da via que estava escalando e perguntou/pensou: Que nome estranho/engraçado/interessante; ou; Oque levou os conquistadores a batizarem essa via assim?

Essa postagem servirá pra solucionar/esclarecer algumas dessas questões e também para perpetuar algumas lendas.

Haverão atualizações para acrescentar mais histórias de vias, mas sempre preservando nomes e situações para que não haja nenhum tipo de inconveniência ou constrangimento.

Textos: Éver ⅍

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Local

Cotiporã/RS | Marins | Setor Principal

Conquistadores

Éver Somensi | Ivan Ferronato

Nome da via

O Ateu

Origem

Conquistada em um final de semana qualquer entre março e junho de 2004, essa linha já estava nos planos desde o ano anterior mas foi deixada de lado para a abertura de linhas mais acessíveis. Então na data citada, finalmente partimos em um grupo, alguns para escalar e eu e o Ivan para abrir a via. No sábado os trabalhos transcorreram normalmente e durante a noite um outro grupo de conhecidos (não escaladores) juntou-se a nós no acampamento. A confraternização acontecia tranquila e alegre até que em algum momento esta harmonia findou repentinamente, iniciou-se uma discussão calorosa entre duas pessoas de religiões distintas sobre o tema. O silêncio que imperava nos demais refletia o quão desconfortável e inútil era a situação. Tratei com indiferença o caso e resolvi focar meus pensamentos na via e no trabalho do dia seguinte. Quando em um flash criativo (ou não) surgiu a ideia. Olhei para o Ivan e disse: -Tenho uma sugestão para o nome da via: O Ateu. Uma sonora gargalhada coletiva, o consentimento do co-autor e estava batizada a via.

OBS

Em outubro de 2013 a via foi estendida em ±8 metros e finalizando no grande teto.

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Local

Farroupilha/RS | Salto Ventoso | Setor Cascata

Conquistadores

Cristiano Liviera | Ivan Ferronato

Nome da via

Sorvete Seco

Origem

Em um sábado qualquer de 2001, uma galera do Leão Gropo se deslocou para o Salto Ventoso para escalar e a dupla Cristiano e Ivan para abrirem a via em questão. E como acontece sempre nessas ocasiões, o papo furado rolou solto e as risadas fluíam como as águas da cascata. Duvido que alguém lembre em qual contexto que surgiu o Sorvete Seco, mas todos os presentes naquele dia devem lembrar que uma pessoa revelou que não conhecia o tal doce, para o espanto geral. Após um breve período de bullying, a conversa seguiu o sua ordem caótica e o assunto pareceu morto. Os trabalhos na via foram adiados para o dia seguinte pois furadeira ainda era um artigo de luxo. Domingo, todos de novo para concluir seus projetos. O último cidadão a chegar, vinha descendo a trilha com uma caixa suspeita em mãos e claro, vocês já devem adivinhar o que continha nela e o assunto voltou à tona e monopolizou a tarde, o lanche e obviamente a via.

OBS

As chapeletas caseiras foram substituídas por homologadas em 20 de agosto de 2013.

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Local

Cotiporã/RS | Marins | Setor Principal

Conquistadores

Ivan Ferronato | Paulo Teixeira

Nome da via

Eclipse

Origem

Não sou conquistador da via mas posso atestar a origem do nome com autoridade pois estava lá. A via foi conquistada no final de semana, dias 8 e 9 de novembro de 2003. Durante a noite, contemplados por um Eclipse total da Lua, não houve muita dificuldade para eternizar o momento.

OBS

1º Originalmente a linha proposta seguia fielmente as proteções e a graduação sugerida 8c, mas como de regra a linha da via é a linha mais fácil, justifica-se o porquê da 4ª e 5ª proteções estarem distantes para proteger.

2º Uma queda no crux sem estar protegido pode ser tensa (termo sutil para dizer perigosa), a possibilidade da aterrissagem em um bloco entre a 2ª e 3ª proteções; à esquerda; deve ser considerada. Por isso é recomendado equipar a via pelo VIsup à esquerda que possui a parada comunitária com a Eclipse, no lance citado (abaixo do tetinho) proteja com uma costura longa, no mínimo 50 cm.

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Local

Farroupilha/RS | Salto Ventoso | Setor Novo

Conquistadores

Leomar 'Panda' Paese | Éver Somensi

Nome da via

25 centavos

Origem

Após muitas proteções batidas pelo método clássico, em 2002 o Leão Gropo adquiriu uma furadeira. No dia 18 de agosto do mesmo ano, estreamos a ferramenta no último e disputado pedaço de rocha escalável no Setor Novo do Salto Ventoso. Na descida da trilha, rolou uma piada (que não se pode contar na presença de crianças) e o auge da trama é exatamente uma moeda de 25 centavos. Mas isso é mera coincidência e não tem nenhuma relevância. Durante a conquista, deixei cair a furadeira de uma altura de 7m com a famosa desclipada de costura e milagrosamente, além de não acertar o amigo, a queda foi amortecida por uma moita e não houve avarias, para meu alívio. A via foi concluída sem maiores problemas, com exceção de uma corda aposentada. Indo embora no final do dia, ainda sem definição do nome da via, encontro uma moeda daquele valor e então fizemos o balanço do dia: (furadeira salva) - (corda destruída) = via concluída + 25 centavos. Lucro!

OBS

A via ficou interditada aproximadamente 10 anos por causa de um enorme vespeiro. Mas em 2014, eu acho, o mesmo foi abandonado e a escalada na via está liberada embora a vegetação tenha tomado conta da parte final.

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Local

Cotiporã/RS | Marins | Setor Mirante

Conquistadores

Éver Somensi | Luís Barboza

Nome da via

Touro Sentado

Origem

Via em homenagem a um grande amigo que sofreu um acidente de parapente. Durante todo o período de recuperação as boas notícias de sua evolução corriam diariamente em um grupo de Whatsapp, que bombava 24hs com orações, boas vibrações e energias positivas de várias partes do mundo. O amigo convalesceu de forma surpreendentemente rápida, num exemplo de superação e força inigualáveis (força esta que foi comparada com a de um touro). Quando chegou a notícia de que finalmente ele havia deixado a cama, foi uma emoção geral, uma alegria contagiante e então surgiu o termo "o touro está sentado". Pouco tempo depois, já estávamos contando com o carisma e humor do nosso irmão novamente em nossas vidas.

OBS

A via foi conquistada em 1º de dezembro de 2015 e receberá uma extensão denominada "Touro voando sentado", bem sugestivo, não acham? Atualizando: Extensão conquistada em duas etapas em 02/07 e 18/09/2016.

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Envie a história do nome da sua via!

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